VELEIRO BEETHOVEN

 

 

 

 

SEGUNDA FASE DO BEETHOVEN


Quando saímos de São Sebastião, em 27 de julho de 2003, a idéia era viajar por dois anos e retornar. Nosso cronograma da viagem furou logo de cara...... Em Salvador ficamos três meses, isso só para dar um exemplo, pois em todos os lugares que ancoramos ficamos mais do que o previsto. E assim o Caribe que era para ser desfrutado em 2004 ficou para o próximo ano. Saímos do Brasil (Fortaleza) em 22 de abril de 2004 direto para Trinidad e Tobago, depois Venezuela e em janeiro de 2005 começamos a subir o tão sonhado Caribe. Durante nossa estadia na Venezuela tivemos contato com velejadores de nacionalidades variadas e cada um tinha uma visão diferente do Caribe, então não há maneira de saber a não ser indo lá e ver para crer!!!!!! Nossa experiência foi a melhor possível. Ainda na Venezuela abastecemos o barco para não ficar a mercê de preços abusivos, afinal a maioria dos produtos que consumimos não são produzidos nas ilhas o que encarece demasiado, mas nada que assuste.
Começamos por Grenada, onde o furacão Ivan tinha passado e arrasado, mas boa parte da ilha já tinha sido recuperada. Lá ficamos por 45 dias viajando por ancoragens maravilhosas (Tyrrel Bay, Sandy Islet, Hillsbourough, Petit Martinique). Encontramos aqui um barco brasileiro, o Bravissimo dos cariocas Zelinda e Antonio Carlos, foi bom escutar português de novo!!! Grenada é uma antiga colônia inglesa e por conta disso tivemos que nos acostumar com unidades de medidas diferentes (Pound, gallon, feet), o dinheiro é Eastern Caribean (EC) que vale a mesma coisa que o real. Para
entrar em Grenada é necessário visto para brasileiros, se paga R$ 100,00 por pessoa...
De Grenada fomos para St. Vincent and Grenadines onde ficamos por quase dois meses. Aqui você da entrada e saída em qualquer ilha, não é necessário visto. Isso aqui é um verdadeiro paraíso: Union Island, Tobago Cays, Mustique, Bequia entre outras. Uma experiência inesquecível...
Velejadas como sempre sonhamos, praias de sonho, veleiros em quantidade que só vendo para acreditar!!!
De St. Vincent para St. Lucia, outro lugar maravilhoso onde visitamos a cratera de um vulcão e os Pítons no Parque Nacional Soufriére, onde não se pode ancorar, pois é muito fundo, tendo que usar uma bóia e se paga, no nosso caso, R$40,00 por três dias. A água é de um azul profundo, um espetáculo da natureza. Aqui reencontramos Zelinda e Antonio Carlos e também Pepe e Josy, do Cap. Morgan que já conhecíamos da Venezuela. Fizemos grandes encontros e passeios juntos!!!!
De St. Lucia zarpamos junto com o Cap. Morgan. Fizemos Martinica, Guadaloupe (onde passamos a Páscoa), Dominica e St. Maarten. Bem, na Martinica não pudemos descer do barco porque é exigido visto para brasileiros. Se um brasileiro quer ir a Paris ou Polinésia Francesa não é necessário visto, mas para as ilhas francesas do Caribe, sim e tem mais, os cidadãos dessas ilhas tem passaporte francês e podem entrar no Brasil sem visto!!!!!Durma com um barulho desse!!!!!! Por isso se você quer conhecer essas ilhas vá a uma Embaixada Francesa no Brasil antes de zarpar e se informe....
Quando chegamos em St. Maarten conhecemos brasileiros residentes que nos receberam muito bem: Koy e Lauren, Luciana e Jéferson, Guilherme e Flávia. De barco encontramos Jadir com o Veleiro Zedumar, Ben, Rosangela e seus filhos Luke e Joshua (ele inglês e ela brasileira que conhecemos em búzios, lembram?) com o Veleiro Zazou, Eneida e Marçal do Veleiro Rapunzel e Geraldo do Veleiro Alma. Também encontramos Pedrão, Cléa, Silvio,Simone, Eudes e Renatinho (esses seriam companheiros de trabalho de Marcelo mais adiante). Deu para matar a saudade do Brasil e colocar as fofocas em dia!!!.
Esta ilha está dividida entre franceses e holandeses. De um lado St. Martin onde a moeda corrente é o euro se fala francês e do outro ST. Maarten a moeda corrente é o guilder e o dólar e se fala inglês. Os preços são salgados tudo em dólar: uma cerveja no happy hour e supermercado custa US$1,00, mas num restaurante pode chegar a US$3,00, em compensação vinhos e queijos franceses para todos os gostos e bolsos. Carne nem pensar, só frango e porco!!
Foi aqui que nosso plano de atravessar o Atlântico em maio foi para o espaço, pois o Marcelinho conseguiu uma vaga como tripulante de um megaiate, começou a trabalhar, tivemos que repensar a travessia e resolvemos esperar. Só que com essa decisão a viagem de volta para o Brasil ficou comprometida e como todos sabem eu era funcionária da Prefeitura de São Sebastião, licenciada por dois anos, tendo que voltar a trabalhar em 01 de julho de 2005. Mas a vida a bordo estava tão boa, tudo no seu devido lugar que não me via mais dentro de uma sala de aula, com horários pré-estabelecidos, entre outras coisas!!!! Depois de muito ponderar, resolvi pedir minha exoneração e assim a partir de julho começou a segunda fase de nossa viagem assumindo definitivamente que moramos num barco, agora somos donos do nosso próprio destino. O Marcelo com sua profissão (elétrica e eletrônica naval) aonde pára tem serviço. O Marcelinho está encaminhado, pois descobriu o que quer realmente ser (Capitão de grandes barcos) e para isso além de trabalhar muito, está se preparando fazendo cursos nos Estados Unidos, onde está desde julho. O Mateus continua estudando com o patrocínio e apoio pedagógico do Colégio Progresso - Sistema Anglo de Ensino - de São Sebastião e onde chega faz amigos, locais e moradores de barcos que infelizmente não são muitos da sua idade. Eu cuido da casa, leio bastante, ajudo Mateus nos estudos, voltei a ser "dona de casa"......
Estamos nos adaptando a essa nova fase e agora sem previsão de volta, resolvemos relaxar e talvez no próximo ano vamos conhecer os Estados Unidos e em 2007 quem sabe Pacífico!!!!!
Saímos de St. Maarten em 05 de junho junto com o Veleiro Alma. Depois de 30 milhas navegadas fomos surpreendidos pela tropical storm "Arlene", um quase furacão, que nos deu muito trabalho exigindo paciência e sangue frio, pois os ventos chegaram a 40 nós, com chuvas torrenciais e depois de 20 horas de pancadaria, conseguimos sair ilesos. A partir daí fizemos uma descida maravilhosa parando em Dominica, Pítons e de Bequia direto para Los Testigos (150 milhas) e assim de volta a nossa segunda casa, a Venezuela, para mais uma temporada de furacões. Depois do furacão Ivan as marinas na Venezuela estão lotadas e os preços subiram um pouco. Aqui cabe uma dica: Subimos todo Caribe sem usar marina e nossas despesas eram com água, frutas, legumes e carnes. Bequia e Grenada foram os lugares mais caros para o abastecimento de água, US$0,60 por galão, então o jeito foi tomar banho de água salgada e depois borrifar com água doce, lavar a louça do mesmo jeito e assim economizar o máximo possível... No mais para nós não foi um bicho de sete cabeças, nos divertimos, comemos bem (nunca em restaurantes!) e em outubro subiremos de novo!!!!
Manteremos contato!!!!
 

E-mail: familiavicenteb@hotmail.com
mateus_beethoven@hotmail.com
sail_surf86@hotmail.com (Marcelo)